29 de agosto de 2012

6 de agosto de 2012

Livro "Depressão: corpo, mente e alma"




Agora está disponível a edição online do livro "Depressão: corpo, mente e alma", que publiquei em 2009, numa versão ampliada. Neste livro, o tema Depressão é abordado com ênfase em seus aspectos orgânicos, psicológicos e espirituais, ressaltando as possíveis causas e os principais recursos terapêuticos disponíveis, dados estatísticos e reflexões sobre a Alegria de Viver.
Boa Leitura!

4 de agosto de 2012

Poema "Alegria"


                                                                   Alegria

Sempre vista num sorriso
Nos olhos cheios de brilho
Ela chega e contagia
Com toda suavidade
Transforma a infelicidade
Com encanto e simpatia

Uma aquarela de sentimentos
Trabalhados pelo tempo
Revela cor e harmonia
Sensação particular
Que dá vida e faz brilhar
A tela de cada artista

E não basta obter prazer
É preciso sentir e ver
As coisas lindas da vida
No cantar dos passarinhos
E num gesto de carinho
A verdadeira alegria.

(Wagner Lugate)

1 de agosto de 2012

Saúde Global no Facebook

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Imagens e frases que despertam a sensibilidade e inspiram o autoconhecimento
e a busca de uma vida mais plena e feliz.

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7 de março de 2012

Ansiedade

O que é Ansiedade

            
    Ansiedade é o conjunto de reações orgânicas, psicológicas e comportamentais que antecedem situações de perigo real ou imaginário. Em tempos remotos, quando as organizações sociais humanas ainda eram primitivas, as situações de perigo eram aquelas em que a vida estava em risco, mas com o passar do tempo, outras situações foram também sendo interpretadas como perigo. Assim, hoje, o risco de perdas afetivas, de status, de reconhecimento, entre outras, também constitui fonte de grande ansiedade. Trata-se de uma expectativa negativa, uma situação de apreensão, de receio de que algo ruim irá acontecer.


Ansiedade normal e patológica
                É importante compreender que Ansiedade não é sempre sinônimo de problemas emocionais ou orgânicos. Há situações na vida em que ela é necessária e positiva. Em situações que envolvem adaptação ou preservação da vida, ela predispõe a pessoa para a luta e a superação de dificuldades. Essa reação é normal, saudável e caracterizada pelo aumento da freqüência cardíaca e respiratória, contração muscular e inquietação, entre outras alterações que tiram a pessoa momentaneamente do seu equilíbrio orgânico e mental.
                No entanto, a manifestação da Ansiedade pode surgir sem motivo aparente, de forma inadequada ou desproporcional ao perigo existente. Observa-se, então, um quadro de Transtorno de Ansiedade, em que esta é considerada patológica.
                A diferenciação entre os dois tipos de Ansiedade tem como base a adequação da resposta frente ao estímulo. A resposta normal é de curta duração, auto-limitada e coerente com a situação enfrentada. Já a resposta patológica é percebida como exagerada ou inapropriada em relação à situação de perigo iminente. A expressão patológica da Ansiedade paralisa o indivíduo, enquanto a resposta normal e positiva promove movimento. Os chamados “Transtornos de Ansiedade” envolvem gasto excessivo de energia psíquica, problemas no contato social e de saúde. Envolvem sintomas como: preocupação excessiva, tremores, sudorese, falta de ar, problemas gástricos e intestinais, insônia, irritabilidade, tensão e dores musculares.
                Ainda no contexto da Ansiedade patológica, é importante abordar a “Personalidade Ansiosa”. Trata-se de um transtorno de personalidade caracterizado por sentimentos de tensão, apreensão, inadequação social e inferioridade. Estão presentes, também, o medo da rejeição, da crítica, da desaprovação e dificuldades nas relações interpessoais. Nestes casos, a evitação ou a restrição da vida social funciona como uma defesa, ou seja, uma proteção contra uma possível rejeição. A pessoa tende a ser retraída, desconfiada e possui uma baixa auto-estima.

Transtornos de Ansiedade


                Entre os principais Transtornos Mentais relacionados com a Ansiedade, estão:

- Síndrome do Pânico: Ataques de ansiedade aguda e inesperada, medo de morrer, de perder o controle e de enlouquecer.

- Fobias Específicas: Reação frente a um objeto ansiógeno específico como lugares altos, ambientes fechados, insetos, ...

- Fobias Sociais: Medo de expor-se, de situações sociais, de críticas, avaliações, ...

- Ansiedade Generalizada: Reação ansiosa persistente sem restrição ou predominância de circunstâncias ambientais.  Medo de perdas, acidentes, doenças, ...

- Transtorno Obsessivo-Compulsivo: Caracterizado por pensamentos obsessivos e/ou atos compulsivos recorrentes. São observados comportamentos ritualísticos ou superticiosos que são desenvolvidos inconscientemente na tentativa de controlar sentimentos e pensamentos geradores de grande ansiedade.

- Estresse Pós-Traumático: Resposta tardia a uma situação estressante de natureza ameaçadora ou catastrófica, que tenha colocado em risco a integridade ou a vida.

- Transtorno de Ansiedade de Separação: Ansiedade excessiva, vivida principalmente na infância e na adolescência, em função do afastamento de pais, substitutos ou cuidadores. Medo que algo aconteça consigo ou com aqueles que se afastaram.

Causas da Ansiedade patológica
             Assim como em grande parte das doenças, as causas da Ansiedade revelam uma interação entre fatores orgânicos, emocionais e ambientais (cultura, educação, ...). Entre eles, se destacam:

- Fatores genéticos   (cientistas já descobriram genes ligados à ansiedade por interferirem na ação de neurotransmissores como a dopamina. Estudos mostram que gêmeos monozigóticos compartilham sintomas de ansiedade em maior porcentagem em relação aos gêmeos dizigóticos)

- Desequilíbrios neuroquímicos   (apesar de tipos diferentes de ansiedade apontarem características neurológicas também diferentes, o baixo nível do neurotransmissor GABA constitui uma das principais causas orgânicas deste transtorno) 

- Problemas hormonais   (distúrbios da tireóide, distúrbios relacionados com o estresse, ...)

- Substâncias químicas   (efeito do uso de drogas, medicamentos e de exposição a toxinas)

- Situações traumáticas   (fatos geradores de estresse agudo e grande sofrimento psíquico)

- Cognições negativas   (conceitos negativos desenvolvidos sobre si e o mundo)

- Conflitos de auto-estima   (medo de não ser aceito, de não atender a expectativa do outro, ...)

- Conflitos de ordem moral   (frutos de impulsos hostis e sexuais considerados inaceitáveis)



1 de fevereiro de 2012

Projeto Educação Consciente


Esta é uma proposta de intervenção junto a pais e educadores de crianças em idade pré-escolar, com o intuito de acolher e qualificar aqueles que se ocupam da infância, trazendo informações acerca dos principais temas que permeiam o desenvolvimento motor, cognitivo, afetivo e social da criança de 0 a 6 anos.

           

11 de janeiro de 2012

Terapia do perdão

Perdão AmorA depressão possui em suas raízes fatores orgânicos, cognitivos e emocionais. Observa-se na base dos aspectos emocionais a presença de raiva, seja ela contida ou mal administrada. Inerente à natureza humana e decorrente de frustrações vividas, a raiva, quando contida, isto é, guardada ou reprimida, volta-se contra quem a sentiu na forma de depressão. Situação parecida é encontrada nos casos de culpa, em que a pessoa sente raiva de si mesma. Tal processo leva ao rebaixamento da auto-estima, à desenergização do corpo e da mente e à angústia.
É neste contexto que a Terapia do Perdão surge como forte aliada na superação de quadros depressivos. Quando a causa é a mágoa, a raiva é superada pelo perdão e quando o problema é a culpa, a eliminação da raiva envolve o auto-perdão.
Por definição, perdão significa a remissão da culpa ou da pena. No entanto, esta conduta terapêutica encontra dois grandes obstáculos culturais. Na infância, normalmente aprende-se que se deve perdoar aos outros, mas a prática do perdão fica associada ao esquecimento da ofensa e à anulação da raiva, o que parece utópico e contrário ao processo de amadurecimento emocional. Também, não é ensinado que as pessoas às vezes precisam perdoar a si mesmas. Então, como colocar o perdão em prática de forma eficiente? O que falta ao ser humano para que essa atitude seja facilitada?
Observa-se que tanto o perdão quanto o auto-perdão requerem uma expansão na forma de perceber a si, o outro e a vida. O ato de perdoar é dificultado pela visão egocêntrica de que a culpa é exclusivamente do outro. É preciso compreender que estamos sempre conectados mentalmente ao que nos acontece, mesmo que de forma inconsciente. Isto nos faz co-criadores de todas as situações em que nos envolvemos e, portanto, co-responsáveis também. Assim, fica superada a idéia de que somos vítimas de alguém ou de alguma situação.
Outro aspecto importante é desenvolver um olhar de empatia e compaixão, no qual é possível perceber os sentimentos, as dores e as dificuldades que moveram o comportamento da outra pessoa, exercitando a habilidade de compreender o outro.
Já o auto-perdão encontra barreiras na auto-crítica elevada, na rigidez, no perfeccionismo e na falta de coragem para enfrentar a situação pela qual se condena. É necessário que aquele que carrega culpa entenda que ela deve ser transformada em responsabilidade, evitando a inércia e o martírio, abrindo espaço para a reparação do erro cometido ou mesmo para um novo entendimento do fato.
O ser humano, às vezes, age de forma dura e implacável consigo e com o outro e a compreensão de que somos todos aprendizes do viver, de que os erros e os acertos compõem a estrada do crescimento, gera mais tolerância e favorece a prática do perdão.
Pode-se dizer que o perdão é libertador, que alivia a consciência, traz alegria, movimenta energias positivas, restaura a auto-estima e é capaz de livrar o Ser da depressão. Que possamos nos olhar com mais carinho e respeito, estando dispostos a perdoar e a recomeçar sempre que preciso, com a cabeça erguida e a certeza de que a felicidade é fruto de uma consciência limpa e em paz.

A seguir você encontra a letra e a música de Maurício Duboc, inspirada no Ho'oponopono, técnica de auto-cura desenvolvida pelo psicólogo havaiano Dr. Ihaleakala Hew Len, que tem como base o perdão.

Se acolho o que meu ego vê
Ou se vejo algum mal em você
Sinto muito... me perdoe
Te amo... Sou grato...
Se endosso o que não é real
Se acredito que existe o mal
Sinto muito... me perdoe,
Te amo... sou grato...
Se esqueço que sou Infinito
Se dou crédito a qualquer delito
Sinto muito... me perdoe,
Te amo... sou grato...
Se a mente que mente é do ego
Se o medo ainda me deixa cego
Sinto muito... me perdoe
Te amo... sou grato...
Se esqueço de que somos Um
Não percebo o que nos é comum
Sinto muito... me perdoe,
Te amo, sou grato...
Se em seus olhos não consigo me ver
Se ainda creio que preciso sofrer
Sinto muito... me perdoe,
Te amo... sou grato...Te amo...
(Maurício Duboc)

30 de novembro de 2011

Atividade física no combate à Depressão

O tratamento da Depressão, para que possa trazer bons resultados, além de contar com recursos das áreas médica e psicológica, requer sempre o empenho, ou seja, o comprometimento do deprimido com a sua melhora. Entre as atribuições do paciente no processo de recuperação está a prática de atividades físicas.




Conhecimentos no campo da fisiologia, da psicanálise e da bioenergética permitem afirmar que são muitos os benefícios que a atividade física pode trazer ao tratamento do Transtorno Depressivo:

LIBERA ENDORFINA: Este hormônio é responsável pela sensação de bem-estar.

EXPANDE A RESPIRAÇÃO: Favorece o fluxo da bioenergia e oxigena melhor o cérebro, melhorando o desempenho de suas funções.

CORRIGE A POSTURA CORPORAL: Os exercícios de alongamento e a atividade física em si tendem a melhorar o alinhamento da coluna e levantar a cabeça, redirecionando o olhar que antes era voltado para baixo e negativamente introspectivo e agora é erguido e passa a perceber o mundo que está em volta e o horizonte, possibilitando a atitude de olhar para frente e mentalizar objetivos a serem alcançados.

MELHORA A SOCIALIZAÇÃO: As atividades realizadas em equipe ou na presença de outras pessoas tendem a tirar o deprimido do isolamento em que comumente se encontra.

AUMENTA A CAPACIDADE CARDIO-RESPIRATÓRIA: A maior resistência física traz a sensação de capacidade e faz diminuir o desânimo, próprio dos quadros depressivos.

COMBATE O ESTRESSE: Estudos revelam que, em muitos casos de depressão, o Cortisol, hormônio ligado ao estresse, encontra-se em níveis elevados.

INTENSIFICA A FORÇA DE VONTADE: O esforço que é feito para se concluir a atividade física trabalha os sentimentos de perseverança, auto-superação e bom ânimo, além de refletir positivamente na auto-estima.

DESPERTA O ESPÍRITO DE LUTA: A agressividade positiva, necessária para se manter na vida, é estimulada por muitos esportes, construindo uma atitude firme e determinada, com foco na superação, trabalhando também a concentração e a objetividade.

REVITALIZA O CORPO E A MENTE: Exercícios que envolvem o ato de pular fazem fluir a bioenergia, provocando um estado de excitação psíquica capaz de combater a sensação de desânimo presente nos quadros depressivos.

EXTERNALIZA A RAIVA: Uma das maiores causas psicológicas da depressão é a dificuldade em lidar com a raiva. Ela pode ser reprimida, levando à dessensibilização do corpo e da mente, ou ser direcionada contra a própria pessoa em situações de culpa, favorecendo em ambos os casos o surgimento do transtorno depressivo. Atividades que envolvem esforço, luta corporal, chutes, gritos, socos, raquetadas e outras que exigem atitude e energia podem contribuir para a externalização da raiva de forma positiva (com regras), fazendo fluir a energia bloqueada e aliviando a angústia existente.


É bom ressaltar que as atividades físicas constituem um importante apoio no tratamento da depressão, não substituindo os recursos médicos, psicoterápicos e a imprescindível mudança de postura do deprimido diante da vida.

6 de julho de 2011

Auto-ajuda no tratamento da Depressão

A alteração do campo mental do deprimido em direção à saúde pode ser favorecida por medicamentos e psicoterapias. No entanto, há um importante elemento no processo de recuperação que depende exclusivamente do doente: seu esforço pessoal, ou seja, sua atitude em busca da própria melhora.
Inúmeros são os recursos disponíveis para a auto-ajuda, mas é preciso vencer o desânimo e os pensamentos negativos, num exercício constante de auto-superação e disciplina, para que se consiga complementar a ação de médicos e psicólogos.


- Cuidar da aparência
(ajuda a preservar a auto-estima)

- Manter ambientes iluminados, arejados e limpos
(melhora a energia do ambiente e das pessoas que nele se encontram)

- Evitar drogas lícitas e ilícitas
(evita a depressão por ação química)

- Expressão da raiva
(a raiva contida pode se voltar contra a pessoa na forma de depressão. Deve ser manifestada em conversas, em exercícios de expressão, extravasada nos esportes ou direcionada para a auto-superação)

- Religião
(alimenta a fé e a esperança, melhora a postura diante da vida e estimula a humildade e a caridade)

- Trabalho voluntário
(doar-se é um ótimo caminho para melhorar a auto-estima)

- Atividade física
(evita o estresse, traz sensação de prazer, trabalha a força de vontade e a agressividade positiva, além de estimular o fluxo energético no corpo e na mente)

- Exercício de respiração e relaxamento
(equilibra o fluxo energético)

- Alimentação saudável
(a medicina ortomolecular aponta a falta de alguns aminoácidos e vitaminas do complexo B, que são usados na síntese de neurotransmissores, como uma das causas da depressão)

- Boas leituras
(mantém a mente sintonizada com idéias positivas)

- Contato com a natureza
(equilibra o fluxo energético)

- Exercício de alongamento
(corrige postura corporal, levanta o olhar e trabalha a flexibilidade)

- Sorrir
(traz sensação de prazer pela liberação da endorfina)

- Cultivar o pensamento positivo
(evita o desânimo e a inércia e provoca efeitos positivos na mente e no corpo)

- Cuidar do fator desencadeador
(enfrentar os problemas que desencadearam o quadro depressivo)

3 de julho de 2011

Atitudes libertadoras


Desde a infância, através de experiências afetivas e cognitivas, a criança vai construindo conceitos sobre si, a vida, o mundo e as relações sociais. Essas informações captadas num momento de descoberta e formação da própria identidade são tomadas pela criança como verdades que muitas vezes a acompanharão por toda a vida. A personalidade vai, então, sendo estruturada e padrões de comportamentos vão sendo estabelecidos. Todo este processo determina a postura que a pessoa adotará diante da vida, incluindo a forma de se relacionar e de reagir às dificuldades encontradas.
Ocorre que experiências negativas vividas na infância podem gerar conceitos distorcidos, provocando conflitos de auto-estima, dificuldades no relacionamento interpessoal e desesperança em relação ao futuro, favorecendo a formação de quadros depressivos.
Já se sabe que pensamentos e emoções são capazes de alterar a atividade celular de forma positiva ou negativa, levando à saúde ou à doença, respectivamente, deixando clara a participação do deprimido na construção de seu quadro, assim como na superação do mesmo.
Gasta-se tempo e dinheiro tentando tratar a depressão de forma passiva, como se o paciente fosse um simples hospedeiro da doença, vítima da vida e não o causador de sua enfermidade. Isso pode ser constatado pelo alto índice de recorrência da doença, observado apesar dos tratamentos farmacológicos e psicoterápicos.
É necessário que a pessoa com depressão compreenda que é responsável pela própria felicidade e que a forma como tem entendido a vida e reagido a ela tem gerado sua angústia, seu desânimo e sua tristeza. O Transtorno Depressivo é antes de tudo um convite a mudanças internas, isto é, a alterações na postura diante da vida.
A ligação existente entre a depressão e a forma de ver e sentir a vida fica ainda mais evidente quando se observa os quatro fatores causais encontrados com maior freqüência na base dos quadros depressivos de origem psicológica:

RAIVA
Origens: intolerância às frustrações.
Comportamentos: mágoa; ressentimento; vitimismo; revolta contra as circunstâncias da vida; culpa; ...
Atitudes Libertadoras: tolerância; perdão; auto-perdão; assumir a responsabilidade pela própria vida; manifestação da raiva através da fala, do esporte ou de exercícios de expressão; colocar-se no lugar do outro, resignação.

CULPA
Origens: atitudes infelizes que geram arrependimento; educação com rigidez, críticas ou elevada expectativa dos pais; conflitos gerados por conceitos religiosos.
Comportamentos: intolerância; perfeccionismo; rigidez; alto nível de exigência consigo e com os outros; auto-punição; moralismo; auto-compaixão; baixa auto-estima; ...
Atitudes Libertadoras: auto-perdão; revisão de conceitos aprendidos; reparação; compreensão da própria condição de aprendiz; tolerância; flexibilidade; auto-aceitação.

SENTIMENTO DE PERDA
Origens: perda de objetos, pessoas ou situações que sustentavam a auto-estima; perda da autonomia, da identidade, do sentido existencial ou de afeto; ...
Comportamentos: raiva; sensação de desamparo e incapacidade; sentimento de rejeição; vazio existencial; ...
Atitudes Libertadoras: adaptação; desenvolvimento da autonomia; autoconfiança; resignação.

COGNIÇÕES NEGATIVAS
Origens: construção de conceitos negativos sobre si, o mundo e o futuro a partir das experiências vividas na infância.
Comportamentos: pessimismo; desesperança; sentimento de desamparo; baixa auto-estima (sentimentos de inadequação, rejeição, incapacidade de dar e receber amor, incompetência, auto-desvalorização); ...
Atitudes Libertadoras: revisão de conceitos aprendidos; busca de novas referências; pensamento positivo; auto-aceitação; auto-perdão; perdão; doar-se.

Torna-se imprescindível associar a reforma íntima aos tratamentos médicos e psicológicos. É necessário rever conceitos, atitudes, valores, sentimentos e pensamentos para que se reduzam os riscos de retorno ao quadro.

1 de julho de 2011

Cuidando da infância


Observa-se que muitos fatores envolvidos na causalidade da depressão têm suas bases na infância.
A construção da auto-estima, da forma de se relacionar, da visão de mundo, enfim, da personalidade, se dá desde muito cedo na relação entre a criança e as pessoas que se ocupam de seus cuidados. Com base em teorias da personalidade, acredita-se que o período compreendido entre 0 e 7 anos de idade seja de grande influência na estruturação de padrões de comportamento que acompanharão a pessoa ao longo da vida. Assim, faz-se necessário que aqueles que se dedicam aos cuidados da infância, seja no ambiente familiar ou educacional, preocupem-se com o tipo de vínculo afetivo que está sendo construído.
A criança aprende sobre ela e sobre a vida através de informações que capta de outras pessoas e que processa em suas vivências afetivas e cognitivas. Partindo do que falam sobre ela e de simples reações à sua presença, a criança vai descobrindo quem ela é, isto é, vai construindo sua auto-imagem. Diz-se que os adultos funcionam como espelhos para a criança.
Muitas crianças crescem escutando que são burras, incapazes, incompetentes, teimosas, chatas, inconvenientes e um peso na vida das pessoas, ou que são inteligentes, perseverantes, criativas, agradáveis, capazes, indispensáveis e amadas. Sejam as informações incorporadas positivas ou negativas, a criança tende a agir de acordo com a imagem que forma de si. Essas impressões ajudam a compor a identidade da pessoa e tornam-se de difícil mudança na vida adulta.
Outro ponto importante na construção da identidade são os modelos introjetados na convivência com os adultos. No decorrer do desenvolvimento, a criança vai internalizando padrões de comportamento, espelhando-se nas pessoas que a cercam. Entre os modelos de identificação, que podem futuramente servir de base para a depressão, estão o perfeccionismo e a intolerância, revelando um alto nível de crítica e exigência, o pessimismo, o sentimento de inferioridade, a submissão, a dificuldade de expressar a raiva, a auto-depreciação e a postura ilusória e arrogante de auto-suficiência.
O jeito como uma criança é tratada também exerce influência na construção de sua auto-estima, sendo esta o sentimento que uma pessoa tem de ser amada, útil, aceita, de ter algo de bom em si para oferecer ou não. Trata-se do valor que a pessoa se atribui, do quanto ela se ama e se aceita. Por exemplo, percebe-se que as crianças se esforçam para agradar sempre os pais e não decepcioná-los, tentando preservar a atenção e o carinho deles. Essa situação auxilia o desenvolvimento infantil, mas pode ser um problema quando o nível de intolerância e exigência dos adultos é elevado, esperando da criança comportamentos destoantes daqueles esperados em sua faixa etária. Tal exigência é observada em pequenas situações no dia-a-dia como não colorir fora dos contornos do desenho, fazer uma letra bonita, não derramar suco na mesa, não se sujar, entre outras que vêm sempre acompanhadas de comentários infelizes do tipo: “Não é possível, você não aprende nunca?!”; “Quantas vezes tenho que te explicar a mesma coisa?!”; “Eu não esperava esse comportamento de você!”. Quando isso ocorre, sentimentos de culpa, inadequação, incapacidade, rejeição e fracasso tomam conta da criança, comprometendo sua auto-imagem e sua auto-estima. Assim, vai se tornando cada vez mais intolerante consigo mesma e com os outros e, ao longo da vida, sua postura rígida e perfeccionista lhe trará perturbações em forma de culpa e, conseqüentemente, depressão.
Para se ter adultos com uma boa auto-estima, é preciso mostrar às crianças o valor que elas têm. E não basta amar, é necessário que a criança se sinta amada. Por isso, é importante demonstrar o amor, falar desse amor, abraçar, fazer carinho, ressaltar suas qualidades internas e ser paciente com seu processo de aprendizagem, uma vez que todo ser humano é aprendiz do viver.

A raiva como base da Depressão

             Uma dos fatores emocionais mais observados nos casos de depressão é a dificuldade que a pessoa encontra para lidar com a própria raiva.
            Inerente à condição humana, a raiva decorre das inúmeras e inevitáveis situações de frustração impostas pela vida desde o nascimento. De forma saudável, a educação e os bons vínculos afetivos vão lentamente conduzindo a criança ao amadurecimento emocional, de forma a torná-la mais tolerante e bem adaptada.
            De uma pessoa emocionalmente madura espera-se a capacidade de renunciar, substituir, aguardar, compreender e se expressar. Trata-se da possibilidade de tolerar situações indesejáveis, e de não guardar para si a raiva experimentada, podendo manifestar seu descontentamento. Tal condição começa a ser estruturada desde cedo quando o bebê, que é naturalmente intolerante às frustrações, se irrita por sentir fome, frio, dor e outras sensações desconfortáveis. Caso ele encontre, no momento da raiva, alguém que o acolha e cuide, restabelecendo uma condição de conforto, vai aprendendo que o mundo pode agüentar sua agressividade e que as dores são passageiras e suportáveis, desenvolvendo assim a capacidade de tolerar os momentos desagradáveis.
No entanto, o bebê pode vivenciar situações em que sua raiva não encontra o acolhimento necessário ou a ação do amor firme que é capaz de construir bons limites e um ego forte. Desta forma, a criança não desenvolve uma boa condição de tolerância, tendendo a comportamentos agressivos e imaturos, ficando mais propensa a desenvolver conflitos emocionais, entre eles a depressão.
Entre as abordagens que colocam a raiva como uma das causas do transtorno depressivo, destacam-se a psicanálise e a bioenergética.
Na visão psicanalítica, as perdas podem ser sucedidas pela raiva da pessoa em relação ao “objeto” perdido, sendo que esta raiva pode se voltar contra a própria pessoa na forma de depressão.
Outra explicação da psicanálise, que liga a raiva à depressão, é o sentimento de culpa gerado pela existência de sentimentos ambivalentes, de amor e ódio, em relação a alguém. A sensação de nutrir sentimentos e/ou comportamentos de hostilidade por alguém que se ama ou de ter lhe decepcionado provoca um estado de culpa, que está carregado de raiva da pessoa contra si mesma, resultando em baixa auto-estima.
No entendimento da abordagem psico-corporal ou bioenergética, quando a expressão da raiva é inibida, provoca-se um estado de tensão em diversos grupos musculares e a repetição desta inibição ao longo do processo de desenvolvimento infantil tende a produzir uma tensão muscular crônica que resulta em bloqueio do fluxo da energia corporal, rebaixamento da expressividade e comprometimento respiratório, desvitalizando o corpo e a mente, culminando na depressão.
A relevância da raiva na constituição dos quadros depressivos fica ainda mais evidente quando se observa as principais causas psicológicas deste transtorno de humor: as perdas, as cognições negativas e a culpa. As perdas geram frustração, que por sua vez geram raiva. As cognições negativas são construídas também com base em vivências frustrantes que resultam em raiva. Já a culpa revela raiva da pessoa por si mesma. Assim, fica ainda mais clara a participação deste sentimento nas causas psicológicas da depressão, sugerindo que as intervenções psicoterápicas devem sempre incluir o desenvolvimento da tolerância, o extravasamento adequado da raiva (esporte, conversa, exercícios de expressão, ...) e o direcionamento da agressividade para o crescimento pessoal.

Causas da Depressão

O século XX foi marcado por grandes avanços na compreensão dos quadros depressivos. Tais conquistas envolvem estudos sobre os neurotransmissores, a produção de fármacos anti-depressivos, o uso de recursos tecnológicos que favoreceram a neurociência e o desenvolvimento de teorias psicológicas e de técnicas psicoterápicas. Assim, foi se consolidando o entendimento sobre a co-existência de fatores orgânicos e psíquicos na depressão e, consequentemente, a associação entre remédios e psicoterapia nos tratamentos.


             No entanto, atualmente, ainda há divergências sobre a origem deste transtorno.  Seria ele orgânico, refletindo no campo emocional, ou psicológico, provocando alterações fisiológicas? Com base nas contribuições e pesquisas de ambas as áreas, é possível, de forma ponderada, compreender que as causas deste mal são diversas, sendo que em alguns casos a origem é psíquica e em outros a sua base é orgânica. É importante ressaltar que em qualquer situação a interação corpo e mente ocorre, tornando recomendável um olhar conjunto de médicos e psicólogos na construção de um diagnóstico que revele a verdadeira causa e aponte as diretrizes mais adequadas ao tratamento.

CAUSAS ORGÂNICAS
- Falha na neurotransmissão: A atividade cerebral se dá pela estimulação dos neurônios, através de impulsos nervosos, que se propagam de um neurônio a outro, mobilizando as diversas regiões cerebrais. Para que ocorra a transmissão do estímulo nervoso, uma substância chamada neurotransmissor flui por uma pequena lacuna existente entre um neurônio e outro, denominada sinapse. O neurotransmissor liberado pelo neurônio pré-sináptico liga-se a um receptor do neurônio pós-sináptico, fazendo com que este dispare um novo estímulo elétrico que fluirá em direção ao próximo neurônio da cadeia, dando continuidade à transmissão. Na fisiopatologia da depressão, observa-se uma falha na transmissão sináptica, sendo que alguns neurônios pós-sinápticos não disparam o impulso elétrico que daria continuidade à transmissão. Atualmente, considera-se que essa falha pode estar relacionada com a baixa quantidade de neurotransmissores nas sinapses, a presença de agentes bloqueadores, a presença de neurônios inibidores, a baixa sensibilidade neuronal e o pequeno número de receptores do neurônio pós-sináptico.

- Alterações hormonais: Entre os hormônios cuja alteração se relaciona com os sintomas de depressão, destacam-se os da tireóide (regulam o estado de vigília), o cortisol (reação ao estresse) e os sexuais (principalmente na TPM e na menopausa).
- Lesões cerebrais: A depressão pode ter origem na impossibilidade de algumas estruturas cerebrais executarem suas funções. Acidentes ou agressões que resultem em traumatismo craniano podem influenciar a ação de neurônios localizados no tronco cerebral. Nessa região, pode haver comprometimento da hafe, encarregada da produção de serotonina, e do locus ceruleus, que produz a noradrenalina, levando ao desequilíbrio neuroquímico que afetará a neurotransmissão.

- Substâncias químicas: No caso do uso de drogas, observa-se que no período de abstinência ocorre a redução das neurotransmissões que envolvem a dopamina e serotonina. Esse fato sugere a possibilidade de depressão no período em que o adicto se abstém do uso da substância. Entretanto, algumas drogas como a cocaína, podem provocar sintomas depressivos logo após o término do efeito estimulante. No caso do tabagismo, algumas substâncias presentes no tabaco, denominadas tiocianatos, causam o impedimento da captação de iodo pela tireóide, resultando no quadro de hipotireoidismo, relacionado com alguns casos de depressão. Sabe-se, também, que a abstinência da nicotina provoca sintomas como irritabilidade, ansiedade, rebaixamento do humor, distúrbios de sono e de apetite. Outra relação entre substâncias químicas e a depressão é o efeito colateral proveniente do uso de alguns medicamentos. Entre eles estão alguns esteróides, tranqüilizantes, sedativos, pílulas para dormir, pílulas para emagrecer, anti-histamínicos, diuréticos, antibióticos, antipsicóticos, anticonvulsivos, pílulas anticoncepcionais, antiinflamatórios, broncodilatadores, medicamentos para ansiedade, pressão alta e câncer, entre outros. Importante ressaltar que tais efeitos colaterais provocam apenas sensações parecidas com sintomas de depressão, podendo em alguns casos desencadear o processo depressivo.

- Fatores genéticos: Sabe-se que pessoas que têm parentes em primeiro grau (pai, mãe, irmãos ou avós) com histórico de depressão, têm maior probabilidade de apresentar o problema. Filhos de pai ou mãe com depressão têm três vezes mais chances de apresentar a doença do que pessoas sem histórico na família. Os índices aumentam quando o pai e a mãe sofrem do transtorno. Existem teorias que explicam tal situação em função das relações interpessoais do grupo familiar, considerando o ambiente como o fator de maior relevância. Entretanto, pesquisas feitas com gêmeos e adotados confirmam a existência de uma predisposição genética. Gêmeos idênticos foram comparados com gêmeos fraternos em relação à depressão e os resultados revelaram que a probabilidade de os gêmeos fraternos compartilharem a doença é de aproximadamente 20%, enquanto nos gêmeos idênticos, o índice sobe para algo em torno de 60%. Outros estudos abordaram pessoas adotadas e apresentaram evidências de que aquelas que tinham pais biológicos com histórico de depressão tinham mais chances de desenvolver o transtorno do que aquelas que tinham pais biológicos sem histórico de depressão.

CAUSAS PSICOLÓGICAS

- Perdas: Em 1917, Sigmund Freud, pai da psicanálise, observou a relação existente entre aspectos inconscientes do sentimento de perda e a gênese da depressão, denominada, na época, melancolia. Vale ressaltar que o conceito atual de perda é abrangente, envolvendo diversas situações como a perda do sentido existencial; de entes queridos; de identidade; de objetos, pessoas ou situações que sustentavam ilusoriamente a auto-estima; que afetam as funções do ego (adaptativas), como visão, memória, audição e autonomia; do amor materno, resultando em sentimentos de abandono, rejeição e desamparo; entre outras.

- Culpa: O sentimento de culpa é um elemento freqüentemente observado nos casos de depressão. Esse sentimento pode ter origens diversas. Entre elas, destacam-se conflitos provocados pela dissonância entre sentimentos e dogmas religiosos; a sensação de ter frustrado as expectativas daqueles a quem ama e por quem espera ser amado; a ideia de ser incapaz de fazer reparações em relação a situações provocadas e vistas como negativas.

- Cognições negativas: Os conhecimentos sobre a influência dos pensamentos nos comportamentos e sentimentos humanos já tiveram a contribuição de inúmeros pesquisadores e são, atualmente, a base de muitas teorias sobre auto-ajuda. Alguns estudos revelam que os cognições negativas podem provocar ou ajudar a prolongar a duração do quadro depressivo. Dentro dessa concepção, a depressão envolve pensamentos negativos a respeito de si, do mundo e do futuro. Tais concepções são desenvolvidas desde a infância, através das relações afetivas e das informações que a criança capta do mundo que a cerca, interferindo na formação de sua identidade, sua auto-imagem, sua auto-estima, suas relações interpessoais e na sua expectativa, otimista ou não, em relação ao futuro.

- Raiva: Entre as manifestações emocionais freqüentemente relacionadas com os quadros de depressão, a que mais se destaca é a raiva. Fruto das situações de frustração, esta reação, que é inerente à natureza humana, é muitas vezes reprimida ou não encontra manifestação adequada e, assim, recai contra a própria pessoa na forma de depressão. Este sentimento é também observado nos três itens anteriores, pois as perdas e os conceitos negativos geram frustração e a culpa acarreta raiva de si mesmo. Isso faz com que a raiva contida esteja sempre presente nos quadros depressivos determinados emocionalmente.

26 de junho de 2011

Frases com sabedoria


Jean-Paul Sartre: filósofo francês (1905-1980)

       “A felicidade não está em fazer o que a gente quer e sim, em querer o que a gente faz.”

       “Não importa o que fizeram de nós, mas o que faremos daquilo que fizeram de nós.”

       “Somente quem não está remando tem tempo para balançar o barco.”


Matthew Arnold: poeta americano (1822-1888)

       “A vida não é ter e obter. É ser e tornar-se.”


Buda: líder religioso indiano (563-483 a.C.)

       “A vida não é uma pergunta a ser respondida. É um mistério a ser vivido.”


Carlos Drummond de Andrade: poeta brasileiro (1902-1987)

       “O sentido da vida é buscar qualquer sentido.”


Friedrich Nietzsche: filósofo alemão (1844-1900)

       “Aquele que tem um porquê para viver pode suportar quase qualquer como.”


Sócrates: filósofo grego (470-399 a.C.)

       “Tudo o que sei é que nada sei.”


Viktor Emil Frankl: neurologista e psiquiatra austríaco (1905-1997)

       “A busca da pessoa por um sentido é a motivação primeira em sua vida.”

       “Liberdade é estar livre para e não livre de.”